Quem me conhece sabe que nutro pelo eixo Anjos-Martim Moniz um carinho especial. Entre tasquinhas, mercearias, modistas, associações culturais e oficinas automóveis, temos ali um pouco de tudo e de toda a gente. É neste oásis multicultural que reside, desde 2015, uma das associações pioneiras num certo tipo de animação de espaços que outrora se encontravam votados ao abandono: a Crew Hassan.
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| A fachada do Crew Hassan, no cruzamento entre a Rua Maria e a Rua Andrade. |
O Crew Hassan é um amplo espaço de convívio, onde tanto podemos ir beber um chá ou uma cerveja artesanal. Com mobiliário antigo (desculpem, mas não quero dizer vintage), é também um lugar que acolhe e publicita todo o tipo de actividades culturais, como concertos, aulas de dança, stand-up, artes marciais ou aulas de inglês (de estilo "dinâmico").
O ambiente é, como seria de esperar, muito descontraído, e isso reflecte-se na forma como somos abordados pelo staff («Boas, como é que é?») ou na liberdade que temos em escolher e sugerir vinis ao DJ de serviço. A esse propósito, a escolha da música é uma das coisas de que gosto mais neste espaço e que mais contribui para a sua aura "criativa". Da última vez que lá fui, passei a tarde a ouvir Buena Vista Social Club enquanto queimavam uns paus de incenso e lavavam o chão. A improbabilidade de fazer isto no meu lar seria altíssima, mas, por alguma estranha razão, senti-me de facto em casa.
Se estão com dificuldade em encontrar locais onde podem ter longas conversas, observar concidadãos com opções de vida diametralmente opostas às vossas, ou simplesmente não conhecem bem uma zona profícua em especialistas do "saber viver", urjo-vos a passar pelo Crew Hassan e passar umas horas ao som de êxitos de Bossa Nova e na companhia de promissores escritores de romances, turistas perdidos e revivalistas de todos os tipos. Se ficarem com fome, não se preocupem. A maravilhosa Carvoaria Jacto é mesmo ali ao lado.


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