Mostrar mensagens com a etiqueta China. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta China. Mostrar todas as mensagens

China #6 - Macau

Nota prévia

As fronteiras territoriais que definem os Estados, os seus hinos, bandeiras, nacionalidades e identidades são essencialmente abstracções que têm como resultado a limitação da mundividência das pessoas e a criação de barricadas. Os bons e os maus. Os aliados e os inimigos. A nossa equipa e o adversário. Não acho de todo que estas construções tão queridas dos nossos políticos reflictam de forma realística a complexidade do nosso mundo, pelo que me abstenho sempre de chegar a conclusões definitivas sobre conceitos colectivistas como o de pátria, cultura ou povo. Porém, tenho também um lado emocional que reconhece a utilidade que estes conceitos têm em termos de comunicação e transmissão de ideias. Vou por isso usá-los, mais por conveniência e facilidade de comunicação do que por particular crença na sua fiel descrição da realidade.

Agora sim, o texto.

O mais próximo que estive de me sentir português foi em Macau (durante a maior parte do tempo sinto-me apenas humano). Ali pude observar com os meus olhos a marca deixada por indivíduos que habitavam há uns bons anos o bocado de terra que hoje habito, que partilhavam muitos dos meus valores de matriz judaico-cristã e que falavam de forma muito similar à minha. Essa marca é, nos dias que correm, quase só visível em termos arquitectónicos e jurídicos, já que a influência da "cultura" portuguesa em Macau é cada vez mais reduzida. Ainda assim, não deixa de provocar uma certa admiração o que os portugueses conseguiram trazer para aqui.

Ruínas de São Paulo.

Travessa da Paixão.

Macau é, a par de Hong Kong, uma região administrativa especial da China e goza sensivelmente do mesmo grau de autonomia (deixemos para os juristas os contornos exactos desta autonomia). De forma resumida, o território engloba a Península de Macau, onde se encontram os edifícios governamentais, históricos e monumentos mais relevantes e a Ilha de Taipa, uma zona em franca expansão imobiliária e onde se situam os maiores e mais recentes casinos da região.

Andar por Macau é assistir a um lento naufrágio do legado português num imenso oceano de lojas, restaurantes e transeuntes chineses. Não obstante, ao percorrer as ruas da Península de Macau ainda encontramos marcos históricos de significativo valor sentimental para quem, como eu, gosta de histórias improváveis.

Igreja de São Domingos.

Largo do Senado.

A Santa Casa da Misericórdia, construída em 1569.

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.

O que torna uma visita a Macau em algo completamente surreal para um portguueês é que, apesar de vermos edifícios de traça tipicamente portuguesa (não sei se estou a usar o termo de forma adequada), sinais e informação escritos na língua de Camões, não vemos ninguém que conheça sequer a língua. Embora o português seja uma das línguas oficiais de Macau e o sistema jurídico da região seja todo ele um decalque do nosso, a relevância que isso assume na vida dos habitantes de Macau é meramente simbólica e até pitoresca. Andar em Macau é como ir ao Portugal dos Pequeninos, com a diferença que todos os visitantes do parque são asiáticos.

Esta peculiaridade assume contornos especialmente cómicos quando vemos como o comércio tradicional de Macau tenta usar este passado português (a língua e os edifícios), à semelhança de como em Lisboa se tenta usar o imaginário visual do Estado Novo, para vender souvenirs e outros produtos a turistas. O resultado é algo como isto:

"Alfaiataria Pin Tou". Ou será Pinto?

"Loja Carnes Assadas ".

"Loja de Canja."

"Venda de Bolinhos."

"Porquinho Cómico".

Por entre edifícios de significado histórico e ruelas mais ou menos escuras, identificamos alguma estagnação numa cidade onde pela primeira vez vimos sinais de ociosidade. Nos jardins, parques e ruas de Macau, vemos bastantes pessoas em idade activa a fumar ou sentadas a jogar às cartas. Não pesquisei as estatísticas de desemprego, nem o rendimento per capita (podia dizer que era para não vos maçar, mas foi mesmo porque não me apeteceu) mas esta foi a cidade na China onde vi mais gente parada nas ruas sem fazer nada aparentemente produtivo (uma herança dos portugueses?).

Homens sentados a confraternizar às 15h de uma Quinta-Feira. Imagem rara no resto da China.

Embora os passeios estejam arranjados, grande parte dos bairros do Norte da Península carece de reabilitação.

Um antigo mercado mostra bem o trabalho que há para fazer numa cidade que tem potencial.

No meio destas deambulações fomos dar com o Jardim Luís de Camões, uma jóia tropical que oferece uma boa perspectiva panorâmica sobre a região da Península e que tem no seu núcleo um monumento pequeno na sua dimensão, mas enorme no seu significado para todos os falantes da língua portuguesa.

Ver um monumento a Camões num jardim cheio de homens chineses a jogar às cartas é uma prova que os portugueses chegaram longe.

Vista para a zona norte da Península.




À medida que vamos caminhando para Norte na Península, vemos que o estado de degradação dos seus edifícios se intensifica consideravelmente. Ao invés, se caminharmos para Sul, em direcção à Ilha da Taipa, vislumbramos os laivos de luxo e exuberância mais condizentes com a capital mundial do jogo.

Avenida Panorâmica do Lago Nam Van. Ao fundo, a Torre de Macau.

Grand Lisboa Hotel & Casino.

Vista para a zona de casinos da Freguesia da Sé.

Falando sobre o jogo, e no que diz respeito a receitas, Macau ultrapassou Las Vegas há quase 10 anos, mas isso só se torna perceptível aos olhos de um ocidental quando nos deslocamos para a Ilha de Taipa. Lá podemos ver a maior indústria de jogo do mundo no seu máximo esplendor. Temos uma avenida a imitar o icónico The Strip (Estrada do Istmo), a presença dos gigantes americanos como o The Venetian e o recentíssimo The Parisian, bem como de cadeias de hotéis, restaurantes e demais locais de entretenimento que nos transportam directamente para um país alternativo.

Vista para a Meca do jogo.

À esquerda e à direita os casinos estão abertos 24h por dia.

The Parisian. Aberto desde Setembro deste ano , custou cerca de 2.250 milhões de euros.

Se as dimensões de tudo isto impressionam qualquer pessoa proveniente de um país que tem a Torre Vasco da Gama como o seu edifício mais alto, mais inacreditável são ainda os interiores destas autênticas cidades com ligação entre todas elas. Perdidos por milhares de lojas de alta costura, joalharia e outros tipos de luxo, encontramos salas de jogo do tamanho de avenidas com centenas de apostadores ávidos por multiplicarem os salários de um ano ao mesmo tempo que sorvem freneticamente copos de água e sumo de laranja.

Um dos átrios centrais do The Venetian.

Recriação da cidade de Veneza no casino The Venetian. Os gondolieri são contratados em Itália.

Decorados com uma semelhança milimétrica à dos seus congéneres americanos, estes casinos de um luxo quase obsceno são o melhor exemplo da megalomania do ser humano e do crescimento que esta indústria continua a ter em Macau. O efeito das luzes, mármores e dourados chega a ser enjoativo.

Hall de entrada do casino The Parisian.

Recepção do The Parisian.

Macau impressiona por várias razões. Pelo seu legado que nos é querido aqui deste lado do mundo, pelo processo de absorção que a cultura portuguesa está a sofrer por parte da chinesa e pela sua simultânea decrepitude e prosperidade. O que vai ser o futuro desta antiga colónia portuguesa não sei, mas é o sítio ideal para percebermos que é possível fazer algo com real importância e relevância que perdure no tempo e seja acolhido por outros com hábitos e vidas diferentes das nossas. Acredito que a arquitectura, língua e, vá lá, "herança" portuguesa em Macau já duraram tempo suficiente para que possamos perceber o que de positivo e negativo fizemos (e fazemos) nas nossas relações com o exterior. De resto, Portugal não durará eternamente em Macau, como não durará no mundo. Nada dura.

Restaurante Tromba Rija, na Torre de Macau.

China #5 - Hong Kong

Seria talvez de esperar que cidades como Pequim e Xangai fossem mais problemáticas do que Hong Kong em termos de mobilidade e sobrepopulação, mas o facto é que foi nesta última que senti aquilo que genericamente se diz da China.

Hong Kong é uma cidade caótica, mal sinalizada e demasiado pequena para a quantidade de gente que lá vive. É frequente os peões não terem espaço nos passeios para circular, ou sequer ter esse direito, já que em muitas ocasiões é dada prioridade e atenção exclusiva aos automóveis.  Para melhorar as coisas, as ruas são praticamente indistinguíveis e as placas de sinalização encontram-se muito mal posicionadas (à altura de um cidadão-médio chinês), o que transforma a tarefa de andar por esta cidade numa autêntica aventura.

Muitas ruas estão vedadas para impedir que os peões atravessem a estrada.

Cenário típico da zona de Central.

Em Mong Kok o espectáculo não é muito diferente.

Embora a falta de espaço constitua um choque, uns dias passados a calcorrear ruas e avenidas (as distâncias não são grandes) com o auxílio de uma aplicação de mapas offline devem chegar para que um português minimamente desenrascado se sinta um local (ler com sotaque inglês).

Passado este primeiro choque, começamos a ganhar noção da quantidade inacreditável de informação que os nossos olhos têm de absorver só de andar na rua. Nunca como em Hong Kong vi uma cidade com tanta gente a vender tanta coisa. Farmácias, lojas de conveniência, lojas de electrónica, restaurantes, joalharias, lojas de roupa, lojas de suplementos, lojas de aquários, lojas de ferragens e artigos de mecânica, lojas a perder de vista e que funcionam, muitas delas, durante 24h. Juntando-se a isto um gosto duvidoso pela publicidade e solicitação de clientela, não é difícil perceber porque é que a sinalização de trânsito e, frequentemente, a própria via pública, ficam completamente subjugadas ao comércio.

Sai Yeung Choi Street.

Os mercados fecham ruas inteiras.

Ah, e esqueci-me de vos falar do calor! O que dizer? 36ºC temperados com uma humidade razoável na ordem dos 80%-90%. Em suma, se conseguirem adaptar-se ao calor, à falta de espaço, à quantidade de gente e ao caos visual, podem começar a apreciar Hong Kong. Calma, é óbvio que estou a exagerar (não muito) e a cidade não é assim tão insuportável. A verdade é que a conjugação de todos estes elementos conferem à cidade uma vida e energia como ainda não tinha visto.

Fruto de todos estes factores, conseguimos encontrar em Hong Kong o melhor e o pior, o mais caro e o mais barato, e isso reflete-se bem no que diz respeito à sua oferta gastronómica. Ora atente-se na cadeia de restaurantes Din Tai Fung, premiada com uma Estrela Michelin e onde é possível fazer uma refeição por €15-€20.

À entrada tiramos uma senha e aguardamos que nos seja indicada a mesa. É-nos também comunicado que temos cerca de 2h para comer.

Línguas de pato em vinagre.

Aqui impera a eficiência, sendo o serviço assegurado por um regimento de amáveis e despachadas senhoras de meia-idade. O restaurante é famoso não só pelos seus dumplings (pequenos pastéis de massa com conteúdo que varia entre os legumes, carne de porco, camarão e outras coisas ligeiramente mais estranhas), mas também pelos noodles e caldos variados.

Dumplings de camarão.

A "fábrica" do Din Tai Fung.


Hong Kong é também, à semelhança de Xangai, uma cidade onde o velho e o novo se confundem, mas com uma clara preferência pela novidade e tendências trazidas pelo Ocidente. Embora partilhe muitos traços e características semelhantes com a China, importa não esquecer que este Hong Kong só foi integrado na República Popular da China em 1997, tendo um longo passado de colonização britânica.

Hong Kong é, apesar de todas as suas idiossincrasias, um bom exemplo de que os princípios de liberdade económica, autonomia individual e respeito pela propriedade privada podem contribuir decisivamente para o crescimento e melhoria das condições de vida de uma sociedade. Para concluir isto basta recorrer a dados do FMI ou do Banco Mundial e ver que, em 40 anos, o PIB per capita de Hong Kong passou de ser comparável ao de países como o Perú ou a África do Sul para se tornar hoje superior ao da esmagadora maioria dos países da Europa e se encontrar em pé de igualdade com o dos EUA e da Suíça.

Jardins Botânicos e Zoológicos de Hong Kong.

Bank of China (esquerda) e Lippo Centre (direita).

Vista do Victoria Peak.

À direita, o famoso edifício do HSBC, projectado por Sir Norman Foster.

Se a cidade tem uma identidade durante o dia, a mesma altera-se radicalmente à noite, sendo a metrópole um paraíso para noctívagos, bons vivants e apreciadores da aleatoriedade e surpresas que só a noite pode oferecer. À noite a cidade mostra definitivamente aquilo que vale e nenhuma câmara pode - com o devido respeito pelos meus amigos que fazem carreira no audiovisual - fazer-lhe justiça.

Victoria Harbour.

Ozone Bar, no 118.º andar do Hotel Ritz Carlton.

Vista do avião 118.º andar.

Restaurante Aqua, em Tsim Sha Tsui.

Como dizia (aliás, escrevia), a noite de Hong Kong é eclética e embora seja tentador gastar mais dinheiro do que deveríamos em bares e restaurantes com mais estilo do que luz, seria também um desperdício não aproveitar o lado mais castiço de zonas como Temple Street, um mercado nocturno que se distingue não pelas suas bugigangas, mas muito mais pela sua oferta de marisco e cerveja barata.

Restaurantes de marisco em Temple Street.

Cerveja de 1L e marisco picante. Gosto muito dos Ritzs desta vida, mas esta malta é que sabe trabalhar!

"Camarões" com alho e malagueta.

Espero que depois de ler este artigo, e caso pretendam visitar Hong Kong, consigam perceber minimamente ao que vão. A fúria consumista e as ruas empilhadas podem não dar tréguas, mas este é claramente um dos centros económicos da Ásia e do Mundo, onde podemos comprar tudo, ver tudo e esperar tudo. E ainda um pouco mais.

China #4 - Duas Chinas em Xangai

Provavelmente ainda estão a repetir mentalmente o título do artigo (muito "ch", é verdade), mas eis que chega a hora de ir para Xangai. A viagem foi feita no famoso Bullet Train que demorou perto de 5h para percorrer uma distância de cerca de 1.200km. 

Prefiro a expressão "Trem-Bala", cunhada pelo nosso conhecido e polémico português do Brasil.

Chegámos a Xangai às 14h de um Domingo, facto que inocentemente me fez pensar que o percurso da estação até ao hotel seria relativamente rápido. Pois bem, os 20km que nos separavam do conforto que só uma cadeia chinesa de hotelaria nos podia proporcionar fizeram-se a custo e mostraram porque é que Xangai é (segundo alguns estudiosos do tema) a cidade mais populosa da China. No entanto, como em quase tudo o que envolve este país, o tempo gasto nas deslocações acaba sempre por valer a pena quando, finalmente chegados ao destino, conhecemos a vizinhança.

The Bund.

Vista para Pudong, o distrito financeiro de Xangai.

Em Xangai constatamos que, apesar de permanecermos em território chinês, a cidade, o clima e as pessoas são bastante diferentes do que vimos em Pequim. Com efeito, o calor e a humidade subiram para valores que ainda não tínhamos enfrentado na viagem (e ainda falta Hong Kong), mas pelo menos o nível de poluição baixou drasticamente, o que nos pareceu um troca mais do que aceitável.

Também a própria cidade denota uma maior influência ocidental, sendo mais frequente cruzarmo-nos com falantes da língua de Shakespeare (mesmo assim menos do que o antecipado) ou vermos edifícios que facilmente poderiam encontrar-se em Londres ou Nova Iorque. Não obstante, no meio da Xangai moderna e cosmopolita, subsistem ainda bairros de pleno coração e tradição chinesa que criam uma interessante realidade paralela.

Yuyuan Garden Residential District.

Bairros como este são bolhas de tranquilidade numa cidade em constante movimento.

Esta dicotomia entre o novo e o antigo é particularmente notória no bairro de Yuyuan Garden onde, no meio de edifícios altíssimos, encontramos um jardim histórico que ocupa um papel central na vida económica e turística da zona. De facto, à volta de um jardim construído em meados do séc. XVI proliferam lojas, restaurantes, barracas e tendas destinadas a satisfazer as "necessidades" do séc. XXI. O resultado pode ser visualmente confuso, mas acaba surpreendentemente por fazer algum sentido.

Vista a partir da entrada dos jardins de Yuyuan.

Uma imagem que resume bem Xangai.

Restaurantes, lojas e estátuas de dragões. Enfim, entretenimento para todos.

Deste dualismo tradição/inovação da cidade não resulta necessariamente que o dia-a-dia dos chineses varie substancialmente em função da sua geração ou sector de actividade. Independentemente do que fazem e de onde vivem, a verdade é que os chineses de Xangai têm uma vida bastante preenchida, sempre com algo para fazer ou um sítio onde estar. Não é por isso comum vê-los sentados a ler o jornal ou a gozar de muitos momentos de descanso. Quando isso acontece é porque estamos geralmente em horário de refeições (contei pelo menos 5 por dia, embora ache que são mais).

Hora de almoço na zona de Xintiandi.

Circular é a palavra de ordem.

A única altura em que vemos o lado mais lúdico e descontraído dos chineses em Xangai é quando o Sol se põe. Aí não falta oferta de rooftops e bares para ir beber um copo, restaurantes abertos até tarde, ou a possibilidade de passear ao longo do rio Huangpu, resultando destas experiências material fotográfico que mais parece saído de um filme de James Bond (excepto do último que é muito mau).

  À noite Xangai mais parece uma cidade alienígena.

M1NT Club: uma versão chinesa de um espaço do Olivier, mas com um pouco mais de gosto.

Vista do VUE Bar, no 32.º andar do Hotel Hyatt on the Bund.

Xangai é uma cidade que parece ter espaço para todos. Assemelha-se a um laboratório de testes para o comércio, a arquitectura ou a restauração, em que as gerações mais antigas coexistem pacificamente com as mais recentes e todos têm margem para desenvolver as suas actividades, ofícios e negócios sem que haja uma aparente imposição de estilo ou modus operandi. Em Xangai percebemos que todos somos diferentes mas que este emaranhado de estilos de vida, culturas e ideias é o que traz vida a uma cidade e, bem assim, a uma comunidade. Seja um café hipster, uma tasca de dumplings ou uma loja de perucas, a cidade de Xangai tem de tudo e isso é sem dúvida a sua maior qualidade.

Bairro residencial e de comércio tradicional perto de Laoximen.

Tianzifang, um labirinto de ruas que forma a zona trendy da cidade.