New Order


Toda a gente conhece ou pelo menos já ouviu falar de Joy Division. Uma banda que, apesar de ter durado apenas 4 anos, não ter vendido muitos discos, nem ter alcançado o sucesso à escala mundial (seja lá o que isso for), ainda hoje é uma referência na história da música, tendo uma influência decisiva no trabalho de U2, The Cure, The Smashing Pumpkins ou Radiohead. A música de Joy Division é identificável pelo seu pulsar frenético, emblematicamente representado em "Shadowplay" ou "Transmission", mas também pela sua aura misteriosa e quase fantasmagórica, patente em "Love Will Tear Us Apart".

A aparência alienada  de Curtis (o segundo a contar da esquerda) motivou centenas de artigos e até um filme/documentário: "Control", de Anton Corbijn.

Com o suicídio de Ian Curtis, em 1980 (tinha apenas 23 anos), os Joy Division viram-se sem o seu vocalista e mais carismático membro, ficando com um caminho incerto pela frente. Ainda antes da morte de Curtis, os membros da banda tinham feito um pacto de não continuar sob o mesmo nome caso algum deles saísse do grupo. Restava assim saber se os Joy Division se extinguiam de vez ou reencarnavam noutro projecto.

Os New Order na sua formação original.

Foram estas as origens de New Order, uma banda composta pelos restantes três membros de Joy Division (Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner) e Gillian Gilbert, namorada de Morris. No início ficou claro que a banda ainda fazia o luto pela morte de Curtis, algo que resulta bastante claro no seu primeiro single "Ceremony", de 1981, que mantém o tom negro característico da antiga banda de Manchester. Não obstante, a música de New Order foi sofrendo uma transição que transformou a sua música numa espécie de tributo e celebração, não só da vida de Ian Curtis, mas da existência humana em geral. A sua sonoridade começou a incorporar cada vez mais a música electrónica, para se tornar definitivamente numa banda de "new wave" (embora classificá-la assim seja terrivelmente redutor). 



Temas como "Blue Monday", "Bizarre Love Triangle", "True Faith" ou "Temptation" revelam bem a conjugação entre a alma negra de Joy Division e a liberdade e descontração que a tecnologia conferiu ao som de New Order. Aliando a nostalgia e melodia do passado à alegria e energia da música electrónica, esta banda nascida na escuridão tornou-se verdadeiramente luminosa e resplandecente, sendo para muitos (eu incluído) a melhor dos anos 80. Em New Order reconhecemos o legado de Joy Division, mas também identificamos as fundações e bases que tornaram a música electrónica no género dominante dos dias de hoje. Ouvir New Order não é apenas ouvir uma banda, mas sim ver à nossa frente a evolução da música e, fundamentalmente, a história de um grupo de amigos que, aparentemente perdidos na tristeza e desilusão de ter perdido um dos seus, criaram uma das melhores bandas da história da música.

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