Diariamente vejo-me confrontado com um problema. Este problema afecta também todos os que trabalham na mesma zona que eu.
Esta zona, mais especificamente.
Pois é. Embora esteja a 10 minutos a pé das Amoreiras e da Avenida da Liberdade, e ainda mais perto do Marquês de Pombal, a parte norte da Rua Castilho e ruas paralelas é um autêntico deserto no que diz respeito a restaurantes (com a mínima qualidade), supermercados, multibancos, lojas ou qualquer tipo de estabelecimento com data de abertura posterior a 1970. No entanto, como procuro ser honesto nas avaliações que faço, passo a indicar os serviços alternativos que este Upper West Side de Lisboa proporciona aos seus residentes, trabalhadores e restantes transeuntes.
"Grifo"
Lembram-se da Moviflor? Se se lembram provavelmente não vão ficar surpreendidos ao saber que esta foi declarada insolvente em 2014. A Grifo é o parente (ainda mais) pobre da Moviflor. Um espaço a que não recorreríamos nem para decorar a casa de bonecas das nossas primas afastadas, mas que teimosamente permanece aberto ao público. Já agora, pesquisem "Grifo" nas imagens do Google e vejam o que vos aparece. Pois.
"Kalinka"
Restaurante "Buzina"
O Restaurante Buzina não é horrível. Aliás, por vezes até se come razoavelmente bem. O problema deste estabelecimento é que o seu próprio nome nos diz logo o que precisamos para ser atendidos ou mesmo notados. Mais do que isso, estabelecer contacto visual com um empregado da Buzina é o exacto oposto de cruzar o olhar com Medusa: altamente aconselhado, mas dificílimo de executar. Se sempre sonharam em sentir-se fantasmas, espíritos ou qualquer outro tipo de alma penada vão à Buzina que ninguém vai dar por vocês.
Feirantes
Não exactamente dentro da zona acima delimitada, mas na área limítrofe, encontra-se localizado um pequeno oásis de ruralidade, tradição e património. Fruto de uma licença exclusiva ou, quiçá, boas relações com a Polícia de Segurança Pública, este espaço de feira serve as excursões de turistas que visitam o Parque Eduardo VII. Nele podemos encontrar bordados de todo o tipo e enxovais de uma beleza intemporal que ficam sempre bem, quer se esteja em Madrid, Tóquio ou Caneças. Estes comerciantes são fluentes em castelhano, inglês, francês e beirão.
Prostituição
Lisboa não tem um "Red Light District" assumido, mas tem a Artilharia 1. Com o desenvolvimento deste bastião da economia paralela, a oferta estendeu-se a toda a zona norte da Rua Castilho, resultando na proliferação deste tipo de serviços um pouco por todo o bairro e a qualquer hora do dia. Assistimos por isso a uma azáfama própria de uma zona portuária, mas com a "conveniência" de nos encontrarmos em pleno centro da cidade de Lisboa.
P.S.: É claro que nem tudo é mau nesta zona. Lembro-me em particular da Empor Spirits & Wine, mas isso fica para outro post.
Feirantes
Não exactamente dentro da zona acima delimitada, mas na área limítrofe, encontra-se localizado um pequeno oásis de ruralidade, tradição e património. Fruto de uma licença exclusiva ou, quiçá, boas relações com a Polícia de Segurança Pública, este espaço de feira serve as excursões de turistas que visitam o Parque Eduardo VII. Nele podemos encontrar bordados de todo o tipo e enxovais de uma beleza intemporal que ficam sempre bem, quer se esteja em Madrid, Tóquio ou Caneças. Estes comerciantes são fluentes em castelhano, inglês, francês e beirão.
Prostituição
O autor deste blog procura passar uma imagem de respeito e razoabilidade, pelo que não anda à procura deste tipo de fotografias na Internet.
Lisboa não tem um "Red Light District" assumido, mas tem a Artilharia 1. Com o desenvolvimento deste bastião da economia paralela, a oferta estendeu-se a toda a zona norte da Rua Castilho, resultando na proliferação deste tipo de serviços um pouco por todo o bairro e a qualquer hora do dia. Assistimos por isso a uma azáfama própria de uma zona portuária, mas com a "conveniência" de nos encontrarmos em pleno centro da cidade de Lisboa.
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Podia ainda falar do Estabelecimento Prisional de Lisboa, do Centro de Apoio ao Emigrante Chinês, do estacionamento para autocarros turísticos e municipais, mas infelizmente o tempo é escasso. Como é óbvio reconheço que todos estes serviços têm procura e são necessários. O que realço porém é a peculiaridade de uma zona tão próxima do Marquês de Pombal, São Sebastião, Avenida da Liberdade e Amoreiras se encontrar tão degradada, envelhecida e abandonada, tornando-se mesmo num local muito pouco recomendável à noite. Bem sei que não tem o charme da Mouraria ou a acessibilidade das Avenidas Novas, mas, fazendo uso dessa qualidade tão portuguesa que é apelar à intervenção do poder público, solicitava ao nosso benemérito Presidente da Câmara que, na senda reformista e visionária do seu antecessor, crie incentivos (ou mova sinergias, como preferir) para que, pelo menos, se abra aqui uma tasquinha decente!P.S.: É claro que nem tudo é mau nesta zona. Lembro-me em particular da Empor Spirits & Wine, mas isso fica para outro post.





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