No passado Sábado fui visitar a Cervejeira Artesanal Dois Corvos, em Marvila. Talvez "visitar" não seja a palavra certa para descrever a experiência, mas é de certeza muito mais adequada do que simplesmente dizer "fui beber uns copos à Dois Corvos". De facto, este espaço é um misto de bar, fábrica e museu da cerveja. Nele podemos conviver com os "Mestres Cervejeiros" (adoro esta expressão e nunca tinha tido oportunidade de a usar) e experimentar variedades e qualidades de cerveja que, até à data, nem julgava existirem.
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| É, no mínimo, assustador olhar para um menu de cerveja e perceber muito pouco do que ali está escrito. |
Comecei a prova com a Matiné Session IPA, uma cerveja que me surpreendeu por apresentar um notório aroma a pêssego. Mas não foi só o meu nariz que o notou, já que a impressão é confirmada assim que a bebemos e de forma mais premente quando já a ingerimos. O aroma e sabor frutados permanecem e tornam esta cerveja numa óptima companhia para tardes de Verão. Foi o que disse na altura: "parece que estou a beber Verão". É sempre difícil descrever estas coisas e não quero que fiquem com a impressão de que me enganaram e me deram uma Sommersby sem que me tivesse apercebido. Não. O lúpulo encontra-se muito presente e esta cerveja é muito mais pujante que qualquer cidra.
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| A Matiné Session IPA em toda a sua glória. |
De seguida optei por experimentar a Stardust IPA e de imediato me apercebi que o seu sabor faz jus ao nome. Apesar do seu aroma e sabor cítrico, o final amargo desta cerveja assemelha-se mesmo a pó. Não do tipo "puseram-me pó" na cerveja, mas sim "epá, parece que estou a andar de bicicleta no campo". É uma sensação invulgar mas que abraçamos a cada gole. Gosto de coisas que não me deixam imediatamente confortável mas que vou aprendendo a saborear e a apreciar e esta Stardust é sem dúvida especial. Não garanto que toda a gente vá gostar, mas é sem dúvida uma experiência ímpar.
Num registo totalmente diferente, o meu amigo Afonso que me acompanhou nesta incursão pediu uma cerveja que foi mais tarde considerada por nós a melhor, ou pelo menos a mais popular. Falo da Saison, uma cerveja que se distingue pela sua levedura (belga, disseram-nos) e pela duração do seu final. Uma cerveja ideal para acompanhar uma refeição e que nos abriu logo o apetite.
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| A Saison e a Stardust IPA. |
No meio destas provas chegou mais um amigo (o Lourenço) acompanhado de um amigo que não conhecia. Num local como a Dois Corvos isso não é problema e o carácter quase "disneylândico" do espaço rapidamente transformou desconhecidos em amigos. Porque já éramos quatro (e mesmo que não fôssemos) pedimos dois "tabuleiros de prova" (à falta de melhor palavra) com um total de 10 cervejas em copos de 15cl. Nesta altura a experiência começou a assemelhar-se a uma visita a uma loja de doces, dado que, em parte também devido ao álcool, a nossa alegria era comparável à de uma criança a experimentar gomas. Bebemos de tudo: uma cerveja que mais parecia um café, uma cidra de framboesa, brown ale, irish red, etc.
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| Por 8€ cada, estes tabuleiros são uma excelente introdução às cervejas da Dois Corvos. |
O local onde estávamos, a Tap Room da fábrica, está aberta ao público desde Novembro do ano passado e à medida que a tarde foi avançando encheu-se de convivas, portugueses e estrangeiros, homens e mulheres, velhos e novos, todos com a curiosidade de experimentar algo novo ou com a vontade de apreciar novamente algo único. Há sempre qualquer coisa mística em consumir um produto no exacto local em
que é fabricado. Eu pelo menos sinto-me parte de um ciclo que começa
muito antes de chegar e que termina muito depois de me ter ido embora. Não tendo acompanhado todo o processo estou ainda assim em posição privilegiada para aprender mais sobre ele e provar em primeira mão os seus resultados.
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| A Tap Room. |
A Dois Corvos está aberta todos os dias das 14h às 21h, excepto às Sextas e aos Sábados quando fecha às 24h. Venham sem medo de experimentar um sítio diferente numa zona da cidade que está a conhecer um franco dinamismo e uma profusão de projectos que vão desde a produção de cerveja artesanal até galerias de arte ou centros de Parkour. O staff é simpático, explica tudo e faz excelentes sugestões, pelo que a ignorância não é (nem deve ser) desculpa. Se quiserem conhecer uma zona mais industrial de Lisboa, passar o tempo num local descontraído, provar boa cerveja e aprender umas quantas coisas este é um sítio que merece a visita.






Tenho andando a querer lá ir! obrigado Miguel pelas tuas descrições, ficam aqui outros "spots" para visitares no âmbito da cerveja artesanal (se quiseres no verão vamos à Boheme em Faro eheh) http://www.nit.pt/article/03-05-2016-os-20-melhores-spots-para-comprar-e-beber-cerveja-artesanal/03-04-2016-cerveja-artesanal/lisbeer-lisboa
ResponderEliminarVasco, vale muito a pena! Também li essse artigo há uns tempos, mas acho que a maior parte desses spots são muito "encafuados". De qualquer maneira temos de combinar.
EliminarAbraços