China #2 - Pequim, Pato e Pátios

Se existe alguma conclusão/reflexão que possa retirar sobre a minha experiência na China foi a de pequenez face a um país com cerca de 1,3 mil milhões de habitantes e milénios de História. Para isso contribuiu decisivamente o impacto que provocou a cidade de Pequim, uma vastidão de espaço, monumentos e massa humana.

Um dos pátios da Cidade Proibida, monumento que cobre 723.633 m² e tem cerca de 980 edifícios.

A metodologia deste (e dos próximos artigos) é indicar os highlights de cada cidade, assinalando os pontos de interesse, ruas, restaurantes e algumas bizarrias que não têm qualquer utilidade mas que acabam sempre por divertir. No que diz respeito a Pequim, este elenco é encabeçado pela Cidade Proibida (ver imagem acima) que, por motivos de conforto para o leitor e preguiça do autor não será referido novamente.

Ok, pronto, tomem lá uma fotografia da entrada.
   
1. DaDong Roast Duck

Na China janta-se às 5/6 da tarde, o que para um europeu constitui a desculpa perfeita para lanchar um valente Pato à Pequim.


A criatura.

O DaDong é uma reputada cadeia de restaurantes especializados em Pato à Pequim, povoado por clientela de variada índole: empresários alcoolizados, estudantes alcoolizados e turistas americanos alcoolizados. Com efeito, a quantidade de jantares empresariais ou comemorativos de todo o tipo de efemérides é bastante comum, conferindo a uma experiência já de si sublime (refiro-me ao pato) um ambiente familiar e de descontracção especialmente bem-vindo para quem, como nós, tinha acabado de aterrar no país.

A preparação do pato é uma experiência que vale por si só.

2. Jingshan Park e Bei Hai Park

Se sempre desejaram ver hordas de chineses de 60 anos a cantar ópera, praticar Tai Chi, tirar mais selfies que Marcelo Rebelo de Sousa, ou simplesmente pretendem conhecer dois locais que justificam o uso do vocábulo bucólico, então estes parques são o que estão à procura. A norte da Cidade Proibida, estes dois parques caracterizam-se pela sensação de tranquilidade que transmitem aos visitantes podendo neles observar-se o povo chinês no seu melhor (sei que às vezes pode ser difícil distinguir, mas não estou a ser irónico!) 

Muitos chineses e (ao fundo) Jingshan Park.

Uma das grandes razões pelas quais vale a pena investir tempo (bastante) e energia (ainda mais) a conhecer estes locais, é porque neles podemos ver os chineses fora do seu trabalho e a aproveitar os seus poucos momentos de lazer. É comum vermos famílias inteiras a passear (sim, mesmo o bisavô de 110 anos é levado na sua cadeira de rodas), grupos que praticam Tai Chi e outros tipos de actividade física mais ou menos meditativa e autênticas orquestras a acompanhar senhoras que, provavelmente sabendo que não têm o maior talento do mundo, entregam ainda assim uma performance passional e com muita personalidade (e decibéis).

Bei Hai Park. 

3. Yonghe Lama Temple

Confesso que me faz sempre alguma confusão visitar um local de culto enquanto turista. O sentimento de que posso estar a encarar aquele espaço com leviandade e descontracção pelo facto de estar num momento de lazer faz-me por vezes pensar se não haverá nisso alguma falta de respeito. Independentemente destas considerações, não posso deixar de aconselhar uma visita ao Templo Lama, um dos maiores templos budistas fora do Tibete. Localizado no coração da cidade, podemos nele vislumbrar a espiritualidade e religiosidade budistas encarnadas em todo o tipo de pessoas que informalmente por ali passa para rezar (tenho de ler mais sobre isto, mas não me parece que os budistas rezem no sentido em que as religiões abraâmicas o fazem).

Um dos pátios do Templo.


4. Palácio de Verão

Se por alguma vicissitude estranha ou menos estranha da vossa vida se virem perante um guia chinês chamado Gary que vos afiança terem de gastar €90 (fora as taxas cobradas pelo banco) num carro com condutor para poderem visitar o Palácio de Verão, desconfiem. Aliás, façam mais do que isso: comprem um bilhete de metro para a estação de Bagou (parece que se pronuncia BaRRRou) e vão de táxi a partir daí. É que o Palácio de Verão, apesar de parecer longe no mapa, está apenas a meia hora de metro do centro da cidade e a 5-7 minutos (espaço para referência a um sketch do Gato Fedorento) de uma viagem de táxi. Quando chegarem às portas é que vai começar a epopeia, já que o Palácio de Verão de um Imperador que estava durante o ano confinado à Cidade Proibida não podia ser uma coisa pequena.

Para chegar ao Palácio é preciso andar quase 2km a partir da porta principal.

Quando vemos muitos chineses a tirar selfies sabemos que chegámos à entrada do monumento.

Vista para o "quintal" do Imperador.





5. Templo do Céu

Outro complexo que vale muito a pena visitar é o Templo do Céu e os seus jardins, local onde se realizavam cerimónias religiosas com o fito de se obter um bom ano agrícola. Temos assim edifícios como a Sala de Oração pelas Boas Colheitas, ou o Templo do Sacrifício Animal, onde se nota uma clara diferença ao nível arquitectónico e decorativo dos edifícios face à estética "imperial" que tínhamos visto anteriormente. A predominância de tons azuis e verdes claros, bem como formas mais circulares transmitem uma sensação de paz solene.


Em paz estavam também estes senhores a jogar Xiangqi - xadrez chinês (expressão mais gira de dizer do que escrever).

Sala (é mais um pátio, mas ok) de Oração pelas Boas Colheitas.

 Recém-casados a tirar fotografias junto do Templo. A resiliência das noivas merece ser aqui destacada.

Com isto terminamos a primeira leva de locais de interesse em Pequim, numa exposição que foi ainda assim curta demais para o material fotográfico registado. Uma vez mais exorto-vos para que não se sintam enganados. Bem sei que muitos estão aqui só para ver fotografias da Muralha da China, mas isso terá de ficar para o próximo artigo!

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