No dia 7 de Novembro mês inicia-se o Web Summit, um evento de cariz quase messiânico sobre tecnologia que reúne empreendedores, investidores e todos os interessados na evolução desta área. Pela primeira vez, este ciclo de conferências realiza-se em Portugal, mais concretamente na FIL, em Lisboa. Espera-se que cerca de 50.000 pessoas participem neste evento, número que certamente comportará desafios acrescidos de mobilidade na cidade de Lisboa.
A este propósito, convém relembrar que qualquer lisboeta que frequente os transportes públicos, ande de carro ou saia à rua, sabe que, neste momento, a circulação na cidade de Lisboa se assemelha à de uma qualquer cidade indiana, ou, de forma mais impressiva, à do IC19 a partir das 18h. Tendo ainda em conta a quantidade de turistas que (felizmente!) tomou de assalto as zonas históricas, bem como os meios de transporte para lá chegar, antecipo com alguma compaixão o choque que um jovem (chamemos-lhe Elon) participante do Web Summit sentirá ao confrontar-se com uma das empresas mais eficientes da cidade: o Metro de Lisboa.
Elon: Bom dia, sabe como é que se vai para o Web Summit?
Funcionário: O concerto? Tem de sair na estação Oriente, na linha vermelha.
Elon: Concerto? Não, não, é um ciclo de conferências.
Funcionário: Ah, é que desde o início do mês que só vejo putos estrangeiros com umas t-shirts pretas a ir para essa zona. Achei que era um
concerto.
Elon: Não tem problema. Sabe qual é a forma mais rápida de lá chegar?
Funcionário: Olhe, aqui a partir do Marquês pode apanhar a linha azul ou a amarela e depois trocar na vermelha. Mas aviso-o já que estão as duas com perturbações e atrasos.
Elon: Perturbações? Mas está tudo bem?
Funcionário: Sim, sim, não se preocupe. Isto tem acontecido desde antes do Verão. É normal.
Elon: Mas é um problema técnico, uma avaria?
Funcionário: É tudo. Temos várias carruagens fora de circulação, faltam peças e equipamento, perdemos trabalhadores, os que cá estão tiraram todos férias ao mesmo tempo e para além disso tudo aumentou o número de utentes.
Elon: Desculpe, mas isso de normal não tem nada. A Administração da empresa não está ao corrente desta situação?
Funcionário: Está, mas eles dizem que o problema é o anterior Governo que fez grandes cortes orçamentais, limitou a despesa e que isso foi fatal para a capacidade de resposta da empresa e degradou o serviço.
Elon: Provavelmente era necessário reduzir o passivo da empresa. Sabe se ao menos reduziu significativamente?
Funcionário: Acho que não. Anda à volta dos 4 mil milhões de euros.
Elon: O quê? Isso é insustentável!
Funcionário: Pois. Olhe, é melhor ir andando porque daqui a nada o serviço vai ficar ainda mais congestionado e o cais já está cheio de gente.
Elon: Mas porquê? Não estava já com perturbações?
Funcionário: Sim, mas é que vai haver agora um Plenário de Trabalhadores para discutir o Acordo de Empresa e exigir melhores condições à Administração.
Elon: Mas quanto é que vocês ganham?
Funcionário: Os maquinistas cerca € 1.500, os fiscais € 1.200 e os agentes de tráfego € 1.100. Temos também subsídios de refeição, de Agente Único, de turno, de quilómetros percorridos, entre outros...
Elon: E estando a empresa com as dificuldades que apontou acha possível uma melhoria dessas condições?
Funcionário: Isso não sei. Só sei que lutamos pelos nossos direitos e sempre em prol dos interesses dos utentes.
Elon: Mas o que é que ganham os utentes com isto tudo? O serviço está a piorar, a empresa não tem dinheiro e os trabalhadores exigem melhores condições contratuais!
Funcionário: A culpa não é dos trabalhadores. O Administração e o anterior Governo é que...
Elon: Bem, o melhor é apanhar um Uber.
Funcionário: Eu se fosse a si não fazia isso. Esses tipos andam aí ilegalmente a roubar clientes aos taxistas. Se quer ir de carro, tem uma paragem de táxis aqui em cima.
Elon: Ok, já vejo isso. Apanho estas escadas rolantes?
Funcionário: Não, não. Essas estão fora de serviço.
Elon: Desculpe, mas isso de normal não tem nada. A Administração da empresa não está ao corrente desta situação?
Funcionário: Está, mas eles dizem que o problema é o anterior Governo que fez grandes cortes orçamentais, limitou a despesa e que isso foi fatal para a capacidade de resposta da empresa e degradou o serviço.
Elon: Provavelmente era necessário reduzir o passivo da empresa. Sabe se ao menos reduziu significativamente?
Funcionário: Acho que não. Anda à volta dos 4 mil milhões de euros.
Elon: O quê? Isso é insustentável!
Funcionário: Pois. Olhe, é melhor ir andando porque daqui a nada o serviço vai ficar ainda mais congestionado e o cais já está cheio de gente.
Elon: Mas porquê? Não estava já com perturbações?
Funcionário: Sim, mas é que vai haver agora um Plenário de Trabalhadores para discutir o Acordo de Empresa e exigir melhores condições à Administração.
Elon: Mas quanto é que vocês ganham?
Funcionário: Os maquinistas cerca € 1.500, os fiscais € 1.200 e os agentes de tráfego € 1.100. Temos também subsídios de refeição, de Agente Único, de turno, de quilómetros percorridos, entre outros...
Elon: E estando a empresa com as dificuldades que apontou acha possível uma melhoria dessas condições?
Funcionário: Isso não sei. Só sei que lutamos pelos nossos direitos e sempre em prol dos interesses dos utentes.
Elon: Mas o que é que ganham os utentes com isto tudo? O serviço está a piorar, a empresa não tem dinheiro e os trabalhadores exigem melhores condições contratuais!
Funcionário: A culpa não é dos trabalhadores. O Administração e o anterior Governo é que...
Elon: Bem, o melhor é apanhar um Uber.
Funcionário: Eu se fosse a si não fazia isso. Esses tipos andam aí ilegalmente a roubar clientes aos taxistas. Se quer ir de carro, tem uma paragem de táxis aqui em cima.
Elon: Ok, já vejo isso. Apanho estas escadas rolantes?
Funcionário: Não, não. Essas estão fora de serviço.

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